domingo, 5 de diciembre de 2010

Apresentação do grupo Lab+Documental – 10 de Outubro / 2010


[o começo]
Nosso projeto se chama Espaços Invisibles e trata da memória de casas/prédios antigos e/ou abandonados da cidade de São Paulo, Brasil.
No início, começamos a fazer uma pesquisa na internet, através de sites, localizando casas e prédios abandonados na cidade. Com os endereços das casas saímos atrás desses lugares, já fotografando e gravando. Durante todo o primeiro mês de trabalho, em julho de 2010,  pesquisávamos na internet, localizávamos no mapa de São Paulo e íamos para a  rua fotografar e gravar.
O primeiro encontro foi marcado no vão do MASP, porque tínhamos um endereço perto da avenida Paulista. Ao chegar lá, lembramos de uma casa, na própria avenida, que já conhecíamos e tínhamos esquecido e foi por essa casa que começamos o trabalho. Uma casa do começo do século XX. Depois dela, partimos para os endereços pesquisados e gravamos, fotografamos outros endereços da zona central da cidade, perto da República, arredores do Mercado Municipal e Cambuci.  No decorrer daqueles dias, pegamos  a zona leste e lá ficamos mais tempo, encontramos muitos lugares interessantes, entre eles,  fábricas e  casas bem antigas; caminhamos pelos bairros Moóca, Bresser, Belém, Brás e Penha.
Continuamos na região oeste nos bairros Pinheiros, Vila Romana e Lapa. Nesta região encontramos mais casas que prédios; aí voltamos ao centro, porque achamos que ainda faltavam mais casas / prédios para registrar e fomos buscá-las nos arredores do Anhangabaú.
Depois de olhar todas as imagens registradas, iniciamos a edição e nos demos conta de que ao sair para essas buscas, encontrávamos outras casas antigas ou abandonadas pelo caminho e que pareciam, em alguns casos, mais interessantes do que as que buscávamos na internet.
Então, partimos para uma segunda etapa, não pesquisamos mais na internet e começamos a escolher bairros e sair a caminhar sem saber quase nada sobre o lugar que íamos e achamos que o trabalho ganhou mais força a partir desse momento, porque nessas novas caminhadas, não estávamos mais na busca de um endereço, começamos a olhar mais, porque não tínhamos um endereço para buscar, então, fomos “obrigadas” a ter um olhar mais cuidadoso, e em algumas situações, intuitivo, tomando decisões para que ruas íamos caminhar e as ruas que ficariam de fora do nosso trajeto.
Encontramos uma estratégia de trabalho e já mapeamos a cidade, decidindo quais bairros vamos entrar e outros, infelizmente, que ficaram de fora. A cidade é muito grande e nós nos propomos a ter um registro de todas as zonas de São Paulo, em bairros que tradicionalmente são mais representativos de cada região da cidade.
[as caminhadas]
Fomos atrás de casas abandonadas, mas encontramos, geralmente, as casas habitadas e isso fez nós mudarmos, um pouco, o foco do trabalho. Além de fotografar e gravar o que tínhamos nos proposto no início, começamos também a fotografar e gravar casas antigas habitadas.
E, assim, além do encontro com as casas e os prédios, essas caminhadas nos trouxeram outras coisas que também são significativas para nós,  o contato com as pessoas. Os donos da casa, ou as pessoas que moram nela ou  as pessoas que estão nos arredores do lugar, como comerciantes, moradores de rua, vizinhos, etc são também as voz desse projeto. Ainda que alguns saibam mais que outros o que acontece com esses lugares, isto é interessante para o nosso trabalho, porque eles são uma testemunha viva, são a voz desses lugares silenciosos e invisíveis para a cidade.
As caminhadas vão nos familiarizando dia a dia com a rua, com a cidade de São Paulo, cada bairro percorrido nos trouxe personagens e características muito singulares de cada lugar. Essa intenção de se encontrar e se perder na cidade, buscando espaços que são, relativamente, negligenciados por ela, nos dão a dimensão da memória e do esquecimento que formam a história desse lugar. Como um palimpsesto, adjetivo dado por Benedito Lima de Toledo no livro São Paulo: três cidades em um século, vemos que a cidade está se construindo para nós sob um novo olhar, com todos os lugares e suas arquiteturas remanescentes, destruídas ou permanentes, todas as marcas do tempo no mesmo espaço.
[as experiências]
Ainda que nós duas temos um olhar artístico, também temos esse projeto com o olhar de duas estrangeiras residentes em São Paulo atualmente. Isso é uma experiência que poucas pessoas tem, ou seja, percorrer a sua cidade em busca da história dela, estar em contato com as pessoas, falando para elas o que é que estamos fazendo. Tudo isso tem sido muito especial para nós. Tem pessoas que ficam curiosas e acham interessante, outras simplesmente ficam olhando. Mas com certeza, sabemos que conhecemos mais esses lugares esquecidos de São Paulo do que os que ficam na nossa cidade. É um encontro com a memória, com a história, com as pessoas, com a cultura, com a cidade mesma.


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